Abraçar a história dos seus clientes, reutilizando objetos que já existe, também é exemplo de sustentabilidade
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Em tempos de consumo consciente e busca por autenticidade, a arquitetura também repensa seus caminhos. Para a arquiteta Bruna Costa, a sustentabilidade na arquitetura começa quando um projeto valoriza o que já existe: as memórias, os objetos e as emoções que habitam cada espaço. Esse foi o ponto de partida da conversa que tivemos no novo episódio do Podcast Guararapes.
Bruna acredita que preservar a memória dos moradores e reutilizar itens de decoração e marcenaria também é uma atitude sustentável. O movimento de trazer objetos antigos reforça essa busca por autenticidade.
Com um olhar atento à neuroarquitetura e à psicologia das cores, ela destaca que antes de falar sobre arquitetura com o cliente, é preciso falar sobre sentimentos. “Começo os projetos perguntando para as pessoas o que elas sentem. Esse entendimento é o ponto de partida para criar ambientes com propósito.” Mesmo em projetos comerciais, como consultórios, Bruna busca traduzir a essência das pessoas que ocuparão aquele espaço.
A conexão entre sustentabilidade e ambientes com história aparece também na forma como ela encara as reformas. “Nem sempre é preciso trocar tudo. Às vezes o móvel está apenas no lugar errado, ou só precisa de uma restauração, uma troca de cor”, explica.
Ela relembra o caso de uma cliente que planejava comprar novos quadros para decorar a casa. Durante o processo, Bruna a incentivou a revisitar o que já possuía e, juntas, resgataram várias peças que poderiam ser restauradas. "Dos sete quadros que pretendíamos comprar, seis foram reaproveitados e foram para as paredes cheios de história e significado", diz.
Para Bruna, sustentabilidade é criar algo durável, funcional e atemporal. “É pensar em uma base estrutural sólida, mas com um ‘miolo adaptável’, que acompanhe as mudanças de vida e as necessidades futuras”, afirma.
Entre os materiais sustentáveis e econômicos, ela destaca o drywall, algumas películas e tintas menos tóxicas, além do MDF, produzido a partir de madeira de reflorestamento e com ampla variedade de cores e texturas. “O MDF permite criar projetos com a sensação do natural, com responsabilidade ambiental”, afirma.