Dos desenhos à mão ao tempo longe do projeto, Henrique Ortis compartilha suas múltiplas etapas de criação
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A arquitetura de interiores vai muito além da estética. Ela nasce do encontro entre escuta, sensibilidade e intenção. Esse é o tema do episódio 64 do Podcast Guararapes, em que recebemos o arquiteto e artista plástico Henrique Ortis.
Para Henrique, a arquitetura é uma arte sinestésica, que possibilita a ativação de diversos sentidos, como o visual, o toque, os aromas e até os sons. Segundo ele, muitos clientes chegam ao escritório buscando apenas uma “casa bonita”, sem perceber que o verdadeiro valor da arquitetura está na maneira como o ambiente dialoga com o modo de viver de cada pessoa.
O processo criativo começa muito antes do desenho. Ele nasce da conexão entre arquiteto e cliente. Segundo Henrique, um briefing bem-feito é, acima de tudo, uma conversa profunda, que provoca reflexões e ajuda o cliente a pensar além do que já pensou sobre si mesmo e sobre a forma como vive.
E não existe fórmula pronta. Para cada cliente, o briefing percorre temas como cozinhar, relaxar, receber amigos e viver a casa no dia a dia. E é justamente nesse momento que surgem descobertas importantes, já que cada pessoa realiza essas atividades de forma única.
Segundo Henrique, criar com sensibilidade exige maturação, um tempo necessário para o projeto se consolidar e ganhar consistência. Ele descreve seu processo criativo como longo e cuidadoso: começa desenhando à mão, explorando diferentes possibilidades. Depois, vem o tempo de pausa, essencial para que as ideias “descansem”. Assim, ao revisitar os desenhos, vem com um outro olhar para avaliar o que pode ser mantido e o que deve ser descartado.
Um dos grandes diferenciais do trabalho de Henrique é a criação de mobiliário autoral. Ele defende a exclusividade e se posiciona contra os chamados “projetos showroom”, padronizados e replicáveis.
Ao desenhar mobiliários personalizados, o arquiteto garante que cada cliente se reconheça no espaço, com a certeza de que não existe outro projeto igual. Essa exclusividade reforça a sensação de pertencimento e transforma o ambiente em uma extensão da identidade de quem vive ali.
Projetar de forma tão personalizada traz desafios, especialmente quando não há reaproveitamento direto de soluções. Ainda assim, Henrique explica que existe um fio condutor que orienta todos os projetos do escritório. “O diferencial está em dedicar tempo para validar se cada solução realmente faz sentido para aquele cliente específico”, explica.
Formado em Artes Plásticas, Henrique carrega essa bagagem para a arquitetura. “A formação artística ampliou meu repertório, trouxe novas referências e me tirou da zona de conforto”, afirma. O resultado são projetos que equilibram técnica e sensibilidade, espaços que não apenas funcionam bem, mas também contam histórias e despertam sensações.